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A diferença entre se preocupar e se importar

Pra contextualizar, uma breve estória: Quando fui iniciado no gerenciamento de projetos/supervisão de equipes, senti fortemente o peso da responsabilidade nos meus ombros. Apoiar a equipe, atender os clientes e contribuir para as metas da empresa, tudo isso me deixava completamente imerso em uma tensão constante, não só durante o horário de trabalho, mas fora dele: Pensava nos problemas durante o trânsito pra casa, no banho, na janta e o sono não era mais o mesmo. Felizmente tive um excelente mentor que percebeu minha reação diante daquela situação e me fez enxergar a diferença entre se preocupar e se importar.

Hoje quando eu falo que não me preocupo para meus colegas de trabalho, acredito que eles tenham um entendimento distorcido de que na verdade eu não me importo, surgiu daí a motivação deste artigo.

Se você está passando ou já passou por essa experiência de assumir uma grande responsabilidade, pode ter sentido a mesma tensão que senti naquele período, em que seus compromissos tomam de assalto os seus pensamentos e lhe impedem de toma-los de volta, consumindo gradativamente suas energias até provavelmente consequências mais graves como crises de estresse, estafa mental e etc.

Todas essas sensações são consequências da enorme preocupação que criamos em torno daquela responsabilidade. O dicionário nos ajuda a entender melhor este conceito:

preocupação
(latim praeoccupatio, -onis, ocupação prévia)
s. f.
1. Estado de um espírito ocupado por uma ideia fixa a ponto de não prestar atenção a nada mais.
2. Inquietação.
3. Desassossego.
4. Pressentimento triste.
Fonte: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Viver preocupado, significa viver inquieto, desassossegado, em um estado de espírito que não nos deixa prestar atenção em outras coisas, não nos permite analisar as situações sob outros pontos de vista, com tranquilidade para resolver os problemas de maneira assertiva. Eu estava preocupado e isso não estava me fazendo bem: limitava meu aprendizado com todo aquele conjunto de novas experiências; e afetava também a minha saúde, com um sono de péssima qualidade e a incapacidade de ter bons momentos de relaxamento.

Foi então que meu mentor, não exatamente com estas palavras, me disse que eu deveria deixar as preocupações de lado, e entender que não se preocupar não significa necessariamente não dar importância às minhas atividades e/ou responsabilidades. Novamente usaremos o dicionário para clarear as ideias:

importar
v. pron.
8. Ligar importância; fazer caso.
v. tr.
9. Ser importante; ter importância. (verbo impessoal)
10. Ser útil.
11. Convir.
12. Competir.
Fonte: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Dar a devida importância, fazer caso, é saber que aquilo precisa ser feito de acordo com as necessidades dos interessados, referente a qualidade ou prazo, dentre outros.

Entretanto, é preciso ter a clareza de que, conforme descrito no Guia PMBOK®, devemos fazer o balanceamento destas necessidades para alinharmos as expectativas das diferentes partes interessadas naquele determinado trabalho. E assim conseguir desvincular a importância que damos as tarefas, da preocupação que ela nos causa.

Isolando bem estes conceitos da preocupação que nos causa a importância que damos às atividades, conseguimos continuar sendo profissionais de excelência, executando de maneira responsável e saudável nossas atividades do dia-a-dia. Podemos estar envolvidos em grandes desafios profissionais, e dar a devida atenção a isso, mas não devemos nos permitir entrar em um estado de espírito que nos impeça de ter uma visão ampla do sistema (de pensamento sistêmico) envolvido na questão, muito menos relaxar, praticar nossas atividades de lazer e sociabilização.

E você, anda preocupado?

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Carreira: O que você construiu por onde passou?

Em um de meus pensamentos recentes, refleti sobre minha evolução profissional e as mudanças que ocorreram durante todo esse tempo. Começando pelo estágio em que trabalhei como digitador, passei a técnico de informática, “web master” (isso era moda na época, rs), desenvolvedor, analista (junior, pleno e senior), supervisor da equipe, gerente de projetos e consultor nas horas vagas.

Refleti sobre como cada etapa moldou o profissional que sou hoje, o que aprendi e o que preciso aprender, o princípio de uma matriz SWOT (sem o OT) para analisar minha posição e auxiliar com meu marketing pessoal.

Mas logo me veio um questionamento: Será que esse é o ponto de vista mais assertivo? Foi então que eu pensei na inversão do ponto de vista, e ao invés de pensar em como as empresas moldaram meu trabalho e aquilo em que me transformei, fiz uma retrospectiva daquilo que eu moldei nas instituições e projetos que passei. Em resumo: Qual era o meu legado em cada uma delas?

Costumamos ouvir muito o termo “legado” quando nos referimos à gigantes como Steve Jobs, Isaac Newton ou Albert Einstein dentre tantos outros que mudaram o mundo. Mas não termos atingido a capacidade de mudar o mundo todo, ainda, não significa que não temos a capacidade de mudar o que está à nossa volta.

Em uma entrevista, além do entrevistador querer saber quem está contratando, precisa saber se aquela pessoa que irá se integrar ao time irá agregar valor ao ambiente de trabalho, e como ele irá fazer isso.

Então que tal refletir também? Responda, para si mesmo, esta pergunta, uma vez para cada projeto ou empresa que você passou: Quais foram as minhas contribuições para a melhoria do trabalho?

Com esta resposta em mente, use isso a seu favor, use este legado para o seu marketing pessoal, use-o para prosseguir em busca do Kaizen. Caso você mesmo não consiga identificar o seu legado, é hora de começar a construir um. 😉

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Livro: Superdicas para se tornar um verdadeiro Líder

Já disse aqui o quanto eu gostei do pocket do Reinaldo Polito com dicas para palestras e apresentações. Não podia, então, parar por ali nesta série de pockets e adquiri o Superdicas para se tornar um verdadeiro Líder, de Paulo Gaudêncio.

Mais uma vez, as dicas são muito pertinentes e recomendo o livro pra quem deseja gerenciar uma equipe, seja em um ambiente de trabalho, seja através da abertura do seu próprio negócio.

O autor explica desde o significado da liderança, e sua diferença com o título de gerente, passando pelo comportamento do líder diante da sua equipe em questões do dia-a-dia de seus liderados, como, por exemplo, em uma competição interna, e até pelas equações da natureza humana.

Não é o guia definitivo, e nem creio que exista algum nesse assunto, mas é bom por trazer assuntos para reflexão, inclusive aqueles que deixamos de lado por parecerem tão óbvios.

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Feedback: é dando que se recebe

Dar e receber feedback deve ser um dos princípios básicos de uma relação profissional (e de outros tipos também, mas não sou o Dr. Love, rs). E, muitas vezes, é preciso tomar a iniciativa pra fazer esta troca de mensagens, que é extremamente benéfica para ambas as partes envolvidas.

Se você está inserido em uma equipe, dentro de uma empresa, ou se trata diretamente com clientes em seu próprio negócio, você deve buscar, sempre, conversar com as pessoas pra passar o seu ponto de vista sobre o trabalho dos mesmos, procurando detalhar pontos de melhoria e parabenizar as tarefas realizadas com sucesso. Então é a hora de abrir a guarda e solicitar a opinião sobre o seu trabalho.

Podemos aprender com os erros, mas podemos também tentar identificá-los a tempo de corrigi-los, e o feedback tem esse poder. Se você não está se comportando como as pessoas esperam, elas têm de ter liberdade pra falar isso abertamente, e não espararem você virar as costas pra falar mal ou cancelar um contrato..

A questão de comunicação parece algo óbvio quando lemos ou discutimos a respeito, mas convivemos diariamente com problemas de comunicação, que talvez nos passe desapercebido. Exemplos:

  • Com que frequência você conversou com um colega de trabalho sobre a conduta profissional de cada um?
  • Quantas vezes você solicitou ao seu chefe um feedback a respeito da qualidade do seu trabalho?
  • Você já realizou uma pesquisa de satisfação com os seus clientes?
  • Você informou seu cliente quando teve um problema e, como consequência, atrasou uma entrega?

Todas estas questões são coisas simples de realizar. Comunicações que fazem parte do dia-a-dia de profissionais engajados em sua carreira ou empreendedores de sucesso.

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